domingo, 11 de novembro de 2018

Canção para ninar menino grande


Conceição Evaristo, uma das nossas maiores escritoras contemporâneas, anuncia o lançamento do seu novo romance, Canção para ninar menino grande, na FLINK SAMPA, que acontecerá entre os dias 19 e 21 de novembro. Em  sua 6ª edição, a FLINK - Festa do Conhecimento, Literatura e Cultura Negra, terá lugar na Faculdade Zumbi dos Palmares, em São Paulo, com lançamentos e vendas de livros, quadrinhos e mangás, produtos de afro-empreendedores, além de atividades culturais para professores e estudantes de todas as idades, com palestras, debates e contações de histórias. 

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Fausto Antônio - No Reino da Carapinha


Em seus livros Memórias dos meus carvoeiros e No reino da carapinha, publicados em 2017 e agrupados num só volume, Fausto Antônio traz a rememoração da ancestralidade e da cultura negra em diálogo com a ficção. O autor é professor da UNILAB, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira e Doutor em Teoria Literária e Historia da Literatura pela UNICAMP. Ficcionista, poeta, crítico e dramaturgo, Fausto Antônio tem participação em várias edições dos Cadernos Negros. 

Os Ibejis e o Carnaval



"A história se desenvolve na cidade do Rio de Janeiro a partir do nascimento das crianças, que são recebidas na família com festa. Seguindo a tradição dos grandes reinos africanos:
Como os ibejis, as crianças discutem, discordam, brigam. Num desses momentos, a avó os interrompe para lhes falar sobre as origens do festejo. Então, por entre os fios da experiente voz feminina outra narrativa se constrói, os gêmeos – e, por extensão, seus leitores – passam a tomar conhecimento de elementos significativos da cultura negro-brasileira. E, como os orixás-crianças, depois das brigas os irmãos acabam se entendendo e decidem entrar para a escolinha de mestre-sala e porta-bandeira, a fim de juntos dançarem carregando o maior símbolo de sua agremiação."










Escrevo ao vivo, de Anízio Vianna


 Os poemas criados para o projeto-blog “Escrevo ao vivo” se constituem nos textos (re)escritos para o livro homônimo e que já está disponível para o público leitor. 

Elisa Pereira



A poesia tem sido historicamente veículo da resistência negra posta em versos e rimas. No século XXI, figura como vigoroso espaço não só de experimentação estética, mas também veículo de vozes negras femininas empenhadas em tomar a palavra para nela inscrever suas inquietações e questionamentos. É precisamente o que nos apresenta Elisa Pereira, em Memórias da pele, seu vigoroso livro de estreia.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Como falar com crianças sobre consciência racial

Ensinar a não "ver" raça, na verdade, não é a melhor abordagem para criar crianças não preconceituosas. Os adultos muitas vezes pensam que devem evitar conversar com as crianças sobre raça ou racismo porque fazer isso faria com que elas notassem a existência da raça ou se tornassem racistas. Na verdade, o oposto é verdadeiro. 
Quando os adultos se silenciam sobre a raça ou usam a retórica de não serem influenciados pela desigualdade racial, eles na verdade reforçam o preconceito racial nas crianças.
Desde muito jovens, as crianças veem padrões — quem parece viver onde; quais tipos de casas existem em diferentes bairros; quem é o protagonista dos filmes; quem tem os cargos mais importantes no hospital, na escola, no supermercado; e assim por diante — e tentam atribuir "regras" para explicar o que veem. O silêncio dos adultos sobre esses padrões e o racismo estrutural que os causa, combinado com a narrativa falsa, mas onipresente, de que qualquer um pode "subir na vida" trabalhando duro, resulta em crianças tirando como conclusão que os padrões que elas veem "devem ter sido causados por diferenças inerentes entre os grupos". Em outras palavras, as crianças podem deduzir que as desigualdades raciais que veem são naturais e justificadas. 
Além disso, o comportamento dos adultos — por exemplo, dizendo: "Isso não é legal" ou "Não falamos sobre isso" – quando uma criança faz uma pergunta sobre a cor da pele de alguém, muitas vezes ensina às crianças que elas nunca devem falar sobre raça, deixando-as que tirem suas próprias conclusões. Então, ainda que as intenções possam ser boas, quando deixamos de falar abertamente com nossos filhos sobre a desigualdade racial em nossa sociedade, de fato contribuímos para o desenvolvimento de seus preconceitos raciais, que são estabelecidos entre os 3 e 5 anos de idade.
Então, o que você deve fazer? Como conversar com as crianças sobre coisas complexas como o racismo sistêmico e a desigualdade social? Os detalhes vão variar conforme a idade, a identidade racial e o contexto social do seu filho, mas há várias coisas que todos os adultos podem fazer. Primeiro, esteja confortável conversando e aprendendo sobre raça, racismo e desigualdade racial. Se você não é capaz de explicar a outro adulto por que padrões de desigualdade racial existem e persistem, será impossível explicar a uma criança de quatro anos de uma maneira adequada à sua idade. Ou seja, primeiro os adultos têm que entender completamente esses conceitos. 
Se você não tem ensinado essas coisas a seus filhos, certamente não é culpa sua, mas é sua responsabilidade se esforçar para aprender mais agora. Se você não está acostumado a pensar e a falar sobre esse assunto na sua vida cotidiana, tente fazer um esforço. 
Faça perguntas. Se uma criança fizer uma afirmação que pareça racialmente tendenciosa, tente entender seu processo de pensamento em vez de reprimi-la. Perguntar: "Hummm, o que faz você pensar isso?" ajudará a entender a origem de suas ideias. Por exemplo, se uma criança negra diz: "Eu quero ser branca", você pode presumir que ela está rejeitando seu próprio patrimônio racial ou cultural. No entanto, se você perguntar: "O que te levou a dizer isso?", pode descobrir que a criança quer ser médica, e, como ela só vê médicos brancos, presumiu que deve ser branca para ter essa profissão.
Depois de entender o processo de pensamento por trás da declaração da criança, você pode trabalhar para mudar sua percepção, no nosso exemplo, pesquisando por médicos negros em sua própria comunidade para que a criança os conheça, ou encontrando representações de médicos negros na mídia. Se for difícil encontrar essas imagens, você pode empregar o próximo método — usando o conceito de justiça e igualdade — para conversar com seu filho sobre o motivo dessas imagens serem difíceis de encontrar. 
Use o conceito de igualdade e justiça. Quem passa tempo com crianças regularmente, sabe que elas são muito sensíveis a questões do que é justo e injusto. 
Você pode aproveitar esse senso de justiça para ajudar a explicar que os padrões que elas veem são injustos, bem como envolver seus filhos na tentativa de corrigir esses erros. As crianças já estão percebendo padrões no mundo ao seu redor, e essa é a oportunidade de ajudá-las a pensar de forma crítica sobre o que estão vendo, em vez de aceitar essas coisas como "dadas". 
Aponte as coisas cotidianas que o deixam chateado porque são injustas — por exemplo, que você não vê crianças negras o suficiente nos livros infantis na biblioteca — e converse com as crianças sobre o motivo de você achar que essas coisas são injustas. 
Quem passa tempo com crianças regularmente, sabe que elas são muito sensíveis a questões do que é justo e injusto. Você pode aproveitar esse senso de justiça para ajudar a explicar que os padrões que elas veem são injustos, bem como envolver seus filhos na tentativa de corrigir esses erros. As crianças já estão percebendo padrões no mundo ao seu redor, e essa é a oportunidade de ajudá-las a pensar de forma crítica sobre o que estão vendo, em vez de aceitar essas coisas como "dadas". 
Mas não seria responsável de nossa parte conversarmos com as crianças sobre injustiça sem fornecer esperança e um caminho a seguir, o que nos leva a... 4. Capacitar! Procure ativamente por modelos antirracistas em sua comunidade e na sociedade em geral e exponha as crianças a esses modelos. Mostre às crianças que, enquanto enfrentamos problemas preocupantes como sociedade, existem (e sempre existiram) pessoas e organizações que trabalham para fazer mudanças positivas todos os dias. Mostre às crianças que elas também podem ajudar. 

Sequência didática - Livro O cabelo de Lelê



Objetivos: 

Conhecer as influências culturais afrodescendentes; 
Valorizar a cultura afrodescendente; 
Construir a relação do passado – presente – futuro; 
Apontar diferenças e semelhanças; 
Participar de uma manifestação afrodescendente. 

Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com os alunos: 
Ler e interpretar histórias; 
Opinar sobre a história contada; 
Ter criatividade em elaborar outra história a partir da que foi apresentada; 
Ter desenvoltura para dramatizar uma história; 
Ter noções básicas de temporalidade- ontem, hoje e amanhã. 

Estratégias e recursos da aula: 

1ª atividade: 

A professora inicia a aula explorando a capa do livro:


Professora aproveite esse momento para perceber quais informações e conceitos que eles têm acerca do tema. 

2ª atividade: 

A professora propõe à turma uma contação de historia do livro: “O cabelos de Lelê ” , de Valéria Belém - Editora Nacional. 
Os alunos deverão sentar-se em roda para ouvir a história que a professora contará. Após a contação da história, a professora fará algumas indagações à turma, que por sua vez responderá de maneira informal as seguintes questões: 

Como é o cabelo de Lelê? 
Quais são as características principais de Lelê? 
Por que Lelê apresenta tais características? 
Qual será a razão de Lelê apresentar tais características? 
Na sala de aula existe algum colega que apresente tais características? Justifique sua resposta. 

Após as indagações a professora dividirá a turma em quatro grupos com cinco componentes cada, distribuirá uma peruca preta e crespa, uma bola de isopor do tamanho de um a cabeça infantil, pente, escova de cabelos e enfeites. 
Solicitará que os grupos de maneira lúdica experimentem explorar os cabelos de Lelê. 

3ª atividade: 

Após a brincadeira, a professora solicitará aos alunos que elaborem um texto contando da Lelê criada por cada um deles, de forma individual e com ilustração em uma folha de caderno meia pauta. 
No segundo momento, a professora pedirá que os alunos oralmente, criem outra história de Lelê, obedecendo a ordenação e seqüência dos fatos ( começo, meio e fim ). Enquanto cada aluno narra partes da história, a professora fará o registro em um blocão, na posição de escrita da turma, no momento. 

4ª atividade: 

Após a história devidamente registrada, a professora fará a proposta de que a turma realize a dramatização da história elaborada por eles no blocão. 
Para que haja a dramatização, a professora solicitará que a turma seja dividida em quatro grupos com cinco componentes cada, com a finalidade de, fazer a escolha dos personagens e suas falas, através de um sorteio. 
Realizado o sorteio, será feita a escolha do título da peça a ser dramatizada. Para a dramatização, a professora fará a proposta que cada grupo assuma uma das seguintes tarefas : cenário, figurino, tempo de ensaio e elaboração do convite divertido para as outras turmas assistirem à peça. 

5ª atividade: 

Entregar a cada criança um desenho com a carinha de Lelê, onde deverá recortar e colar em uma folha de papel A4, completando o desenho do seu corpo. 
Depois cada criança registrará  na própria folha como se sentem com “O cabelo de Lelê”. 

6ª atividade: 

A professora conversa com os alunos sobre a influência africana no Brasil. Faz uma listagem sobre os tipos de heranças africanas: 

Manifestações culturais; 
Alimentação; 
Palavras; 
Religião; 

Escolhe com a classe dois aspectos citados acima para pesquisarem e assim conhecerem mais sobre o tema em questão. 

7ª atividade: 

A professora faz uma pesquisa inicial apresentando à classe algumas palavras de origem africana próximas do vocabulário das crianças. 
Depois divide a turma em grupos e cada grupo fica responsável por um grupo de letras do alfabeto que deverão pesquisar as palavras de origem africana e trazer para a sala de aula com seus respectivos significados. 

Segue exemplo para iniciar o trabalho. 

GLOSSÁRIO DE PALAVRAS DE ORIGEM AFRICANAS 

PALAVRA       SIGNIFICADO                            ILUSTRAÇÃO 
A - AGOGO     Instrumento musical 
B - BAOBÁ      Árvore com um tronco enorme 
C – CAFUNÉ   Carinho, afago 
D – DENGO     Manha, birra 
E - F - 
Até o final.... Z - 
A professora deverá ficar atenta, pois possivelmente algumas palavras trazidas podem não ter uma ilustração cabível. 
8ª atividade: 
Realizar um desfile de roupas e penteados africanos. 

Recursos complementares: 
Livro: "O cabelo de Lelê" - Valéria Belém; 
Peruca preta encaracolada; 
Bola de isopor; 
Adereços de cabelo; 
Escova e pente para cabelo; 
Folha de papel pardo; 
Piloto; 
Papel crepom; 
Cartolina; 
Folha de papel laminado; 
Folha de caderno meia pauta; • TNT em diversas cores. 

Avaliação: 

Observar se no decorrer das atividades  propostas os alunos mostraram-se interessados no tema abordado. 
O comprometimento de cada criança frente às tarefas solicitadas é uma forma de avaliação por parte da professora. 
Verificar se os alunos conseguiram estabelecer relações entre as culturas afro descendentes; europeias e indígenas como formação da cultura brasileira. 
Avaliar se os alunos estabeleceram relação entre as diferentes etnias que compõem o povo brasileiro. 
Observar se conseguiram expor suas ideias com clareza, questionando de forma respeitosa e sem preconceito. 

Bom trabalho!!!