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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Conceitos




fonte: http://brasilafrica.fflch.usp.br/sites/brasilafrica.fflch.usp.br/files/AULA%203%20conceito.pdf

literatura afro-brasileira

"Ambas as expressões “literatura negra no Brasil” ou “literatura afro-brasileira” apresentam-se recorrentes no meio acadêmico e literário, embora apontem para conceitos ora convergentes, ora divergentes. Porém, as particularidades defendidas para cada expressão nem sempre são suficientes para responder a certas questões propostas pela crítica, teoria e história da literatura, e mesmo pelos escritores, sendo a própria definição do conceito ainda hoje polêmica.
Por um lado, verificamos que a utilização do prefixo “afro” no caso de classificação da produção literária, não consegue evitar alguns problemas contidos no uso do termo “negro/a”, à medida que caracterizam uma particularidade. Por outro, como mostram os escritores ligados ao Movimento Quilombhoje e consequentemente aos Cadernos negros, essa particularização torna-se necessária enquanto resposta à marginalização histórica sofrida pelos escritores negros ou afrodescendentes no Brasil, frente aos critérios “universais” que configuram um mecanismo de exclusão legitimado pela literatura tradicional." 

Rodrigo da Rosa Pereira (FURG)

http://www.editorarealize.com.br/revistas/abralicinternacional/trabalhos/Completo_Comunicacao_oral_idinscrito_830_9c358d27c670bd15440c1922bf322254.pdf

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Conceituando ...


Por um conceito de literatura afro-brasileira

Resultado de imagem para Eduardo de Assis Duarte

Segundo o professor Eduardo de Assis Duarte, a literatura afro-brasileira tem alguns identificadores que podem ser destacados: uma voz autoral afrodescendente, explícita ou não no discurso; temas afro-brasileiros; construções linguísticas marcadas por uma afro-brasilidade de tom, ritmo, sintaxe ou sentido; um projeto de transitividade discursiva, explícito ou não, com vistas ao universo recepcional; mas, sobretudo, um ponto de vista ou lugar de enunciação política e culturalmente identificado à afrodescendência, como fim e começo. 



segunda-feira, 10 de março de 2014

Conceito de Literatura Afro-brasileira



O conceito de Literatura Afro-brasileira ainda está em construção. Essa manifestação artística se forma a partir de textos que apresentam temas, autores, linguagens mas, sobretudo, um ponto de vista culturalmente identificado à afrodescendência, como fim e começo. Segundo Eduardo de Assis Duarte, pode-se constatar a existência da literatura afro-brasileira em sua plenitude, a partir da conjunção dinâmica de cinco grandes fatores:  temática, autoria, ponto de vista, linguagem e público .

Literatura Afro-brasileira????


Sendo a literatura um importante veículo de conscientização e de mobilização, faz-se necessário rever os aspectos teórico-práticos que norteiam a literatura afro-brasileira no intuito de exaltar a herança étnica e redefinir a expressão cultural dos afro-brasileiros.

A literatura afro-brasileira tem origem aproximadamente na segunda metade do século XVIII e início do século XIX, mas é a partir do século XX que floresce, cresce, cria força.

O que define a literatura como afro-brasileira?

Zilá Bernd a define ou como aquela cuja obra aborda temas negros ou como aquela produzida por autores que se identificam como negros ou afrodescendentes (BERND, 1992: 13). Assim, essa literatura faz negros agentes visíveis e ativos para transformar sua comunidade e vida através de ações afirmativas, da solidariedade, da construção de autoestima e de expressões linguísticas únicas.

Na história da literatura, é possível observar que as primeiras produções literárias não exploraram profundamente questões como opressão, exploração e discriminação já que o público leitor era majoritariamente formado pela classe masculina branca. Os autores que criticavam as injustiças que os negros sofriam, falavam em geral e teoricamente, sobre o assunto como Tobias Barreto de Menezes (1839-1889).

Apesar do início do século XX ter sido marcado pela exaltação dos valores nacionais, os negros e a sua cultura continuavam marginalizados pela literatura, mesmo a produzida por afro-brasileiros.

Na década de 1960, os escritores refletem o hibridismo dos dois mundos que os cercam (europeu e africano), ou seja, por um lado, tentam manter as suas tradições e valores da África e, por outro, sofrem a influência de outras culturas, especialmente a branca, que tentam oprimir os seus valores (BERND, 1992: 57).

Na década de 1970, porém, começaram a haver mudanças na produção literária, começaram a uma abordagem que mostra a realidade, mostra o preconceito contra os negros. Essa literatura reflete as experiências de opressão e discriminação que o negro sofre, mas também reflete suas tradições, tradições essa baseadas na memória, na história, na cultura, articulando aquilo que é necessário para a aquisição de uma identidade negra no Brasil. (ALVES, 1995: 19).

Ao mesmo tempo, os autores tentam envolver o leitor nesse processo de esperança para construir o espaço de cultura e da conscientização através de movimentos sociais e culturais (BERND, 1987: 81)

Desta forma, é viável a expressão “literatura afro-brasileira”, enquanto termo abrangente, amplo, pois traz em seu bojo o termo “literatura” que indica arte; criação vinculada com a África, que nos deixou um legado cultural vasto e primoroso. É através do conhecimento deste legado que a criança negra será capaz de identificar-se enquanto pessoa pertencente ao grupo negro e, consequentemente, orgulhar-se de suas origens, de sua história.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

ALVES, Miriam; DURHAM, Carolyn R. Enfim… nós: escritoras negras brasileiras contemporâneas / Finally... Us: Contemporary Black Brazilian Women Writers. Colorado Springs: Three Continents Press, 1995.
BERND, Zilá. Negritude e literatura na América Latina. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1987.
________, Introduçåo à literatura negra. Såo Paulo, Brasiliense, 1988.
______. Antologia de poesia negra brasileira. Porto Alegre: IEL/AGE, 1990.
PEREIRA, Edimilson de A. Casa da palavra. Obra poética 3. Belo Horioznte: Mazsza, 2003.

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“Assim, temos uma produção que está dentro da literatura brasileira, porque se utiliza da mesma língua e, praticamente, das mesmas formas, gêneros, processos e procedimentos de expressão. Mas que está fora porque, entre outros fatores não se enquadra na "missão" romântica, tão bem detectada por Antonio Candido, de instituir o advento do espírito nacional. Uma literatura empenhada, sim, mas num projeto suplementar (no sentido derridiano) ao da literatura brasileira canônica: o de edificar, no âmbito da cultura letrada produzida pelos afrodescendentes, uma escritura que seja não apenas a sua expressão enquanto sujeitos de cultura e de arte, mas que aponte o etnocentrismo que os exclui do mundo das letras e da própria civilização. Daí seu caráter muitas vezes marginal, porque fundado na diferença que questiona e abala a trajetória progressiva e linear da historiografia literária canônica. “ 


                                                                                                                             Eduardo de Assis Duarte

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